a tarde
ousou em voz
a gravidade do canto
tornando ágrafo o poema
para que as linhas sustentem
vida e não apenas o ócio das palavras
cabíveis.
para que
o poema conduza
em luz a morte que opera
na mesma velocidade e ardor
em que os sonhos são paridos a
base de forceps quando cessa este
motor de primaveras falidas que alimento
para que
nada e luz
profiram doravante a voz
de rosas e locomotivas impraticáveis
ao papel
e que o poema
surja vivo
como templo
a tua retina
incendiário sob teus campos
onde o sol não há
pois este ofício de defuntos
não mais caberá a mim!
al schenkel, 10/09/10.
Nenhum comentário:
Postar um comentário