quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Estações Feláveis


             Não mais contida entre os dedos
                           ou tardes febris de julho
        não mais pensá-la toda tesa e aberta
entre as folhas das bananeiras sorrindo.
são três horas da tarde
          em alguma beira de estrada
                   que teus olhos circundam Meus olhos sonham
   tuas pernas se abrindo como as manhãs em alguma cama
macia que suporta o amor Não mais dexedrine ou estações
                         feláveis Não mais “Asleep At The Trigger”
                                                       ou “Stella By Starlight”
        em porres solitários de fundamento onírico
                      e seria o amor uma divindade ágrafa,
   reposta a meu peito onde há muito nada vive?
    e teus lábios templos onde minha alma pousa
            gemendo pequenas perversões contidas?
sou feito da mesma matéria que é fabricada a poesia
de imensidões e devastações que o mundo se priva,
de cores ausentes e canções que ornamentam motéis
com a morte oscilando infernos sob meu peito

...e tua voz ainda ressona suave entre o clangor das locomotivas
cocainômanas que desdenham meu coração...