domingo, 20 de fevereiro de 2011

.um poema impresso sob tua coxa esquerda

 Um poema impresso
                  sob tua coxa esquerda
a eternidade oscila em teu seio levitando-me
   sob a morte plena das estações que ostenta.
                                                    Rompe-me.
                      Segura com doçura pelas bolas
e exprime a dor que deveras e sente
sente o céu apenas como paisagem primal
reluzido adentro de tuas nádegas civilizadas
                                                     pela rotina
e conheceis a vida
tal qual a morte tal qual a chuva ao observar-nos
exemplificando a existência
aninhando anjos sobre os sofás desnudos
                                      e meu sorriso de deus asmático
emudece sobre tuas ancas sacudindo as janelas de zinco
Um poema agora impresso
                 saltou do crânio
pousando sob tua coxa esquerda
quando no fundo buscava o lume veloz que habita o centro de tuas virilhas.

al schenkel, 09/06/2010

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

.uma tarde ocidental.

escrevo sobre as noites indormidas
sobre o recesso e as estrelas caídas
escrevo o que rumino durante o dia
e que a noite implora por vir à tona
os rastros pelas calçadas de ruas com bons nomes
o cheiro que perdura em botecos de baixa índole
o amor silencioso que renasce durante o frio
tudo que é apagado pelo sono saudável
tudo que é reprimido como um vômito inesperado
eu escrevo as frases não ditas por medo
e assim me consumo audaz e veloz
escrevo os chapéus engraçados que perambulam despreocupados
as bostas que esperam tranqüilas os sapatos que circulam
escrevo o excesso e a necessidade
e as canções assoviáveis das esquinas negras me perturbam
escrevo as senzalas e hospícios da alma
e toda a beleza estrangulada sem campos de girassóis
escrevo minha tia-avó suicidada aos 80 anos
escrevo a cadeira que a sustentou e também a corda
qual foi a visão que a libertou?
qual o inferno a possuía em tardes febris?
há um passado sombrio em todas as coisas
Mas que é facilmente domesticado