.uma tarde ocidental.
escrevo sobre as noites indormidas
sobre o recesso e as estrelas caídas
escrevo o que rumino durante o dia
e que a noite implora por vir à tona
os rastros pelas calçadas de ruas com bons nomes
o cheiro que perdura em botecos de baixa índole
o amor silencioso que renasce durante o frio
tudo que é apagado pelo sono saudável
tudo que é reprimido como um vômito inesperado
eu escrevo as frases não ditas por medo
e assim me consumo audaz e veloz
escrevo os chapéus engraçados que perambulam despreocupados
as bostas que esperam tranqüilas os sapatos que circulam
escrevo o excesso e a necessidade
e as canções assoviáveis das esquinas negras me perturbam
escrevo as senzalas e hospícios da alma
e toda a beleza estrangulada sem campos de girassóis
escrevo minha tia-avó suicidada aos 80 anos
escrevo a cadeira que a sustentou e também a corda
qual foi a visão que a libertou?
qual o inferno a possuía em tardes febris?
há um passado sombrio em todas as coisas
Mas que é facilmente domesticado
se eu te disser que te considero um grande poeta que diferença isso ira fazer?
ResponderExcluiro poema me faz um giro de 180 um aglomerado de tantas coisas de tantas associaçoes e ao mesmo tempo tao simples e sincero, tao vivo e grandioso.
os teus demonios exorcizados sao os meus anjos em sentimentos, a tua decadencia é aminha elevação literaria. Obrigado pelo blog.
abraços!