sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

.uma tarde ocidental.

escrevo sobre as noites indormidas
sobre o recesso e as estrelas caídas
escrevo o que rumino durante o dia
e que a noite implora por vir à tona
os rastros pelas calçadas de ruas com bons nomes
o cheiro que perdura em botecos de baixa índole
o amor silencioso que renasce durante o frio
tudo que é apagado pelo sono saudável
tudo que é reprimido como um vômito inesperado
eu escrevo as frases não ditas por medo
e assim me consumo audaz e veloz
escrevo os chapéus engraçados que perambulam despreocupados
as bostas que esperam tranqüilas os sapatos que circulam
escrevo o excesso e a necessidade
e as canções assoviáveis das esquinas negras me perturbam
escrevo as senzalas e hospícios da alma
e toda a beleza estrangulada sem campos de girassóis
escrevo minha tia-avó suicidada aos 80 anos
escrevo a cadeira que a sustentou e também a corda
qual foi a visão que a libertou?
qual o inferno a possuía em tardes febris?
há um passado sombrio em todas as coisas
Mas que é facilmente domesticado
 
  

Um comentário:

  1. se eu te disser que te considero um grande poeta que diferença isso ira fazer?
    o poema me faz um giro de 180 um aglomerado de tantas coisas de tantas associaçoes e ao mesmo tempo tao simples e sincero, tao vivo e grandioso.
    os teus demonios exorcizados sao os meus anjos em sentimentos, a tua decadencia é aminha elevação literaria. Obrigado pelo blog.
    abraços!

    ResponderExcluir