terça-feira, 18 de outubro de 2011

Dois Poemas Menores ou A Morte Fragmentada

#1


E os dias
correm anestesiados
sob velhos
toldos de armazéns
de uma velha face com pouca expressão
ouve-se o
bravejar contra as iniquidades
modernas
um velho
remenda cautelosamente seu
cigarro
centenas
de camas gemem sob seu crânio
secular
garotas resmungam sobre o gosto
de esperma amanhecido nos lábios
a desgraça
o persegue por trinta quarteirões
sem fósforos

uma vida realmente dura esta para
quem não possui manuais-práticos
para casos
de infelicidade constante."  


#2


eis-me então:
o retrato previsível do desastre
a morte gotejando algures
doravante em cores suportáveis
rumo ao nicho das máquinas febris.
eis-me em partes desconsideráveis
um sonho sobre mexicanas obesas
e maçãs delicadamente
assassinadas. 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Pequena Canção Indelével




exaspera o amor,
este pequeno fragmento pós-vida de crueza indelével
tão veloz quanto o sonho ou a luz ao acalentar meus olhos inchados de porre
a dor ainda rege este crânio amolecido pelas ruas e desastres contidos
sem canção ou pura violência sou exposto em bivalentes catarses de morte espiral
não haverá coisa alguma a cantar esta boca desvalida pela loucura e excrementos
esta vida jamais sobrevirá a iridiscência contida na alegria estreante das manhãs
antes o amor das putas e seus pequenos acessos passionais de imbeleza tragável
antes a morte escancarada nos ombros destas proles horrendas guiando-me ao fim
exaspera este amor exaspera e doravante o medo entre quadros de rouxinóis desfigurados
exaspera o ardor que invento tal qual réquiem as noites sustentadas pelos ganchos dos hospitais.

uma lâmina ostenta o paraíso na visão turva que mastigo entre tuas coxas de Ísis esfacelada.