quarta-feira, 17 de agosto de 2011


a tarde
ousou em voz
a gravidade do canto
tornando ágrafo o poema
para que as linhas sustentem 
vida e não apenas o ócio das palavras
                                           cabíveis.
para que
o poema conduza
em luz a morte que opera
na mesma velocidade e ardor 
em que os sonhos são paridos a 
base de forceps quando cessa este 
motor de primaveras falidas que alimento

para que 
nada e luz 
profiram doravante a voz 
de rosas e locomotivas impraticáveis
                                         ao papel
e que o poema 
surja vivo
como templo
   a tua retina 
incendiário sob teus campos
                onde o sol não há
   pois este ofício de defuntos 
        não mais caberá a mim!

al schenkel, 10/09/10.